Integração entre investigação, inteligência, identificação facial e análise de impressões digitais permitiu localizar o investigado, cumprir mandado de prisão e conectar registros criminais de diferentes estados
A atuação integrada de diferentes áreas da Polícia Federal resultou na prisão de um homem suspeito de envolvimento em uma série de furtos no interior de veículos em Maceió, Alagoas. A investigação também revelou que o indivíduo utilizava identidades distintas e possuía um mandado de prisão em aberto relacionado a uma ocorrência registrada no Estado da Bahia.
As diligências tiveram início no dia 18 de agosto, após o registro de furtos praticados no interior de diversos veículos na capital alagoana. Entre os automóveis atingidos estava o de um policial federal, do qual foram retirados bens pertencentes a instituições.
Durante a apuração, os policiais identificaram que o suspeito utilizava um bloqueador de sinal para interferir no acionamento do sistema de travamento dos veículos. O equipamento impedia que o comando de fechamento funcionasse corretamente, fazendo com que os automóveis permanecessem destravados mesmo após os proprietários acionarem as chaves.
A técnica permitia que o homem acessasse os veículos sem precisar arrombar portas ou quebrar vidros, retirando os objetos deixados em seu interior e dificultando a percepção imediata do crime pelas vítimas.
Identificação facial auxiliou o avanço das diligências
Durante as primeiras diligências, as equipes obtiveram imagens de câmeras de segurança que registraram a atuação e as características físicas do suspeito. O material foi encaminhado ao Núcleo de Identificação da Polícia Federal em Alagoas para realização de exames especializados.
Em menos de uma hora após o recebimento das imagens, a equipe responsável realizou uma perícia de identificação facial. Embora os sistemas de reconhecimento facial consultados não tenham apresentado uma possível identidade de forma automática, a análise técnica e manual dos elementos presentes nas imagens permitiu apontar uma possível identidade e direcionar o trabalho investigativo.
A partir dessa informação, os policiais verificaram que o investigado era natural de Minas Gerais e possuía um mandado de prisão em aberto relacionado a uma ocorrência criminal no Estado da Bahia.
As equipes de investigação deram continuidade ao trabalho, reunindo novas imagens para reconstruir o trajeto percorrido pelo suspeito e identificar o seu possível destino. Após o aprofundamento das diligências, o homem foi localizado e preso no domingo (23), com o apoio da Polícia Militar do Estado de Alagoas.
Impressões digitais revelaram novas informações
No momento da prisão, o suspeito não portava documentos que permitissem confirmar oficialmente sua identidade. Diante dessa situação, foi realizado o procedimento de identificação criminal, com a coleta das impressões digitais.
As impressões coletadas foram submetidas à pesquisa no Sistema Automatizado de Identificação Biométrica da Polícia Federal — ABIS/PF. A consulta localizou um registro relacionado a uma investigação criminal realizada em 2019, no Estado do Piauí.
Naquela ocorrência, uma impressão digital atribuída ao mesmo indivíduo estava vinculada a uma carteira de identidade expedida no Maranhão, em nome de outra pessoa.
O confronto papiloscópico entre a impressão digital encontrada no registro anterior e as impressões coletadas após a prisão confirmou, de maneira técnica e segura, que ambas haviam sido produzidas pelo mesmo indivíduo.
A análise revelou, portanto, que impressões digitais pertencentes a uma única pessoa estavam associadas a diferentes nomes e documentos de identificação. O resultado permitiu estabelecer uma ligação entre registros existentes em Minas Gerais, Bahia, Piauí, Maranhão e Alagoas, contribuindo para o esclarecimento da verdadeira identidade do investigado.
Bens foram recuperados e possível receptador foi identificado
Além da localização e prisão do suspeito, a atuação conjunta das equipes possibilitou a recuperação de todos os bens furtados. O prosseguimento das diligências também levou à identificação de um possível receptador dos produtos, ampliando a investigação sobre a destinação dos objetos retirados dos veículos.
A Polícia Federal continua realizando diligências para esclarecer a eventual participação de outras pessoas, identificar possíveis crimes relacionados ao uso de documentos falsos e reunir os elementos necessários à responsabilização dos envolvidos.
A ciência da identificação a serviço da Justiça
O resultado da investigação demonstra a importância da integração entre investigação policial, inteligência e perícia. Desde a análise inicial das imagens de segurança, passando pela reconstrução do trajeto do suspeito, até a confirmação de sua identidade por meio das impressões digitais, diferentes conhecimentos e técnicas foram empregados de forma complementar.
A atuação especializada dos Peritos Papiloscopistas Federais foi fundamental para superar a ausência de documentos, revelar o uso de múltiplas identidades e conectar registros criminais existentes em diferentes estados brasileiros.
A Papiloscopia oferece resultados objetivos, seguros e cientificamente fundamentados. Mesmo diante da apresentação de nomes falsos, documentos distintos ou da ausência completa de identificação, as impressões digitais permanecem como um elemento individualizador capaz de estabelecer, com precisão, a identidade de uma pessoa.
Para a ABRAPOL, casos como esse evidenciam a relevância estratégica dos profissionais da identificação humana no combate à criminalidade. O trabalho técnico desenvolvido pelos Peritos Papiloscopistas Federais contribui diretamente para o cumprimento de mandados judiciais, a identificação de pessoas procuradas, a conexão entre ocorrências policiais e a correta aplicação da Justiça.
Mais do que atribuir um nome, identificar corretamente uma pessoa significa esclarecer sua trajetória, revelar vínculos ocultos e impedir que identidades falsas sejam utilizadas para dificultar a atuação do Estado.
“Em nome da ABRAPOL, parabenizo todos os Peritos Papiloscopistas Federais que participaram dessa importante ação. O trabalho técnico, preciso e comprometido desses profissionais foi fundamental para revelar a verdadeira identidade do suspeito e contribuir para o avanço da investigação, demonstrando, mais uma vez, a indispensável importância da Papiloscopia para a segurança pública e para a Justiça brasileira.” – PPF Régis, Presidente da ABRAPOL