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Home Notícias

Identificação desde o berço: Pacto Nacional busca transformar a biometria neonatal em política permanente de proteção à infância

Comunicação Abrapol Por Comunicação Abrapol
08/10/2026
em Notícias
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Identificação desde o berço: Pacto Nacional busca transformar a biometria neonatal em política permanente de proteção à infância
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A identificação de uma criança começa antes mesmo de ela compreender o significado de ter um nome, uma história ou uma identidade. Garantir que cada recém-nascido possa ser corretamente identificado desde os primeiros dias de vida representa não apenas um avanço tecnológico, mas uma importante medida de proteção, cidadania e garantia de direitos.

Nesse contexto, o Pacto Nacional pela Identificação Neonatal e Infantil surge como uma iniciativa de alcance nacional para transformar a identificação biométrica de recém-nascidos e crianças em uma política permanente, integrada aos sistemas de identificação civil e à Carteira de Identidade Nacional (CIN).

Lançado em setembro de 2025, durante o Congresso da Cidadania Digital, em Brasília, o Pacto reuniu órgãos oficiais de identificação das Unidades da Federação, além de instituições e entidades ligadas à identificação civil, à segurança pública e à sociedade civil.

A proposta parte de uma premissa fundamental: toda criança deve ter assegurado o direito à identidade desde o início da vida.

A identificação como instrumento de proteção

A identificação biométrica neonatal pode desempenhar papel relevante na prevenção de situações como trocas de recém-nascidos em maternidades, sequestros, desaparecimentos, subtração de crianças e tráfico de pessoas.

Ao estabelecer uma vinculação segura entre a biometria do recém-nascido e a de seus pais ou responsáveis, cria-se uma camada adicional de proteção capaz de acompanhar a criança ao longo de sua trajetória de vida.

Mais do que identificar, trata-se de estabelecer uma identidade confiável e vinculada à filiação, permitindo que essa informação seja utilizada de maneira segura pelos diferentes serviços públicos.

A iniciativa também se relaciona diretamente com a necessidade de redução do sub-registro civil. Embora o Brasil tenha avançado significativamente na garantia do registro de nascimento, ainda existem crianças que permanecem sem documentação adequada ou que enfrentam dificuldades para acessar serviços essenciais.

Nesse cenário, a identificação biométrica pode contribuir para aproximar o nascimento da efetiva inclusão da criança na estrutura de cidadania do Estado.

Da maternidade à Carteira de Identidade Nacional

Um dos principais desafios para a consolidação da identificação neonatal é transformar a coleta biométrica em parte integrante da rotina das maternidades.

A proposta é que, após o nascimento, sejam realizados os procedimentos necessários para a identificação do bebê, com a coleta de suas impressões digitais e a vinculação segura dessas informações à filiação e aos registros oficiais.

Posteriormente, esses dados poderão integrar os sistemas de identificação civil, permitindo a emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN) e fortalecendo a interoperabilidade entre diferentes bases públicas.

A integração é fundamental.

Uma identificação realizada na maternidade não deve permanecer isolada em um sistema específico. Ela precisa dialogar, de forma segura e controlada, com os sistemas de identificação civil, saúde, registro civil e demais estruturas públicas que participam da garantia dos direitos da criança.

É justamente nesse ponto que a identificação biométrica deixa de ser apenas uma solução tecnológica e passa a funcionar como infraestrutura de cidadania.

O papel da papiloscopia e da identificação humana

A discussão sobre identificação neonatal também evidencia a importância do conhecimento técnico acumulado pelos profissionais que atuam na identificação humana.

A coleta de impressões digitais de recém-nascidos apresenta desafios próprios relacionados às características anatômicas e fisiológicas dessa faixa etária. Por isso, a implementação em escala nacional exige protocolos adequados, equipamentos apropriados, profissionais capacitados e critérios técnicos que assegurem a qualidade e a confiabilidade das informações coletadas.

Nesse processo, a experiência dos órgãos oficiais de identificação e dos profissionais especializados em papiloscopia e identificação humana é indispensável.

A tecnologia pode ampliar as possibilidades, mas a qualidade da identificação depende de método, conhecimento científico, padronização e profissionais preparados para executar e validar os procedimentos.

Para a ABRAPOL, esse debate reforça a importância de valorizar permanentemente a identificação humana como instrumento de cidadania e de proteção social.

Um desafio que exige integração nacional

O Pacto representa um compromisso importante, mas sua efetividade dependerá da capacidade de transformar a iniciativa em uma política executada de maneira coordenada em todo o território nacional.

Entre os principais desafios estão a criação de protocolos nacionais, a padronização dos procedimentos de coleta, a interoperabilidade dos sistemas, a capacitação dos profissionais e a disponibilização de recursos para que os órgãos responsáveis possam incorporar a identificação neonatal às suas rotinas.

Também será necessário garantir que as soluções adotadas respeitem rigorosamente a legislação de proteção de dados pessoais e os direitos fundamentais da criança.

A construção dessa estrutura demanda a atuação conjunta da União, dos estados e dos municípios, além dos órgãos oficiais de identificação, instituições de saúde, cartórios, órgãos de segurança pública, entidades técnicas e sociedade civil.

Identidade é cidadania

A identidade não é apenas um documento.

Ela representa o reconhecimento formal de uma pessoa perante o Estado e a sociedade e constitui uma das bases para o exercício de direitos fundamentais.

Uma criança corretamente identificada encontra melhores condições para ter sua trajetória documental preservada, acessar serviços públicos e ser reconhecida pelo Estado ao longo de sua vida.

Por isso, a identificação neonatal deve ser compreendida como uma política de proteção integral.

Sua importância ultrapassa a emissão de um documento ou a criação de uma base biométrica. Trata-se de criar mecanismos capazes de proteger uma criança desde os primeiros momentos de sua vida e reduzir vulnerabilidades que podem acompanhá-la durante anos.

O compromisso precisa sair do projeto e chegar às maternidades

O Brasil já possui importantes elementos para avançar nessa direção: órgãos oficiais de identificação estruturados, conhecimento técnico, desenvolvimento científico, sistemas biométricos, a Carteira de Identidade Nacional e uma infraestrutura nacional de identificação em processo de consolidação.

O próximo passo é transformar essas capacidades em uma política efetiva e abrangente.

Para isso, será necessário que experiências já desenvolvidas em diferentes estados sejam avaliadas, aperfeiçoadas e utilizadas como referência para uma implementação nacional, respeitando as características e estruturas de cada Unidade da Federação.

O objetivo final é simples, mas de enorme significado:

que nenhuma criança seja invisível para o Estado e que cada recém-nascido possa iniciar sua trajetória de vida com uma identidade segura, confiável e protegida.

O Pacto Nacional pela Identificação Neonatal e Infantil representa, portanto, mais do que uma iniciativa tecnológica. É uma oportunidade para consolidar uma política pública que une identificação humana, ciência, segurança, cidadania e proteção da infância.

Para a ABRAPOL, acompanhar e contribuir para esse debate é também reafirmar o compromisso histórico da identificação humana com a sociedade brasileira.

Identificar desde o berço é proteger desde o primeiro dia.

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