O Distrito Federal segue como referência nacional no enfrentamento ao desaparecimento de pessoas, alcançando um dos maiores percentuais de localização do país. De janeiro a setembro de 2025, 94% dos casos foram solucionados, com 1.573 pessoas localizadas de um total de 1.666 desaparecimentos registrados, conforme dados da Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF).
Em 2024, o índice havia sido ainda maior — 98% dos desaparecidos localizados.
Esse desempenho é resultado de uma política pública sólida e integrada, que alia tecnologia, investigação, humanização e agilidade no atendimento às famílias.
Primeiras horas: fator decisivo para o reencontro
Apesar dos números expressivos, a SSP-DF reforça a importância de agir rapidamente nas primeiras horas após o desaparecimento.
“O modo como a família reage pode definir o desfecho do caso. Por isso, é essencial registrar a ocorrência imediatamente e da forma mais completa possível. Não é preciso esperar 24 horas”, destacou o secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar.
Em 2025, o tempo médio para registro das ocorrências foi de 93 horas e 20 minutos, e apenas 42% dos casos foram comunicados dentro das primeiras 24 horas — período considerado crucial para o sucesso das buscas.
Para a primeira-dama do DF, Mayara Noronha Rocha, o índice acima de 90% é reflexo de uma gestão integrada que valoriza cada vida:
“Por trás de cada número está uma história, uma família e uma vida reencontrada.”
Como agir: não espere 24 horas
A SSP-DF reforça que o registro do desaparecimento deve ser feito imediatamente. O cidadão pode:
Ligar para o 190 ou procurar a delegacia mais próxima;
Registrar o boletim de ocorrência pela Delegacia Eletrônica;
Fornecer o máximo de informações possíveis: foto recente, características físicas, roupas usadas, condições médicas ou emocionais e o último local onde a pessoa foi vista.
Quanto mais completo o relato, maiores as chances de localização rápida.
Perfil dos desaparecidos e regiões de maior incidência
Entre janeiro e setembro de 2025:
64% dos desaparecidos são homens e 36% são mulheres;
43% têm entre 30 e 59 anos, e 24% são menores de idade;
Os dias com mais registros são sexta-feira (17%), sábado (17%) e domingo (14%);
As regiões com maior número de casos são Ceilândia, Planaltina, Brasília e Samambaia.
Integração, tecnologia e humanização
O sucesso do DF está diretamente relacionado à atuação de diferentes frentes, como:
Rede de Atenção Humanizada de Pessoas Desaparecidas, que oferece suporte jurídico e psicológico às famílias;
Protocolo Sinal de Busca Imediata, que compartilha em minutos as informações do desaparecido com mais de 30 órgãos locais e nacionais;
O perfil @desaparecidos_df, que padroniza e divulga casos de forma oficial e responsável.
O trabalho investigativo da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), aliado aos procedimentos técnicos dos institutos do Departamento de Polícia Técnica (DPT), é essencial para garantir respostas rápidas e precisas.
Divulgação responsável e segurança digital
A SSP-DF alerta para os riscos de divulgar informações de forma independente nas redes sociais.
Segundo o subsecretário de Integração em Políticas de Segurança Pública, Jasiel Fernandes:
“Compartilhar telefones pessoais da vítima ou familiares pode expor as pessoas a golpes e chantagens. A divulgação deve sempre ocorrer em conjunto com as autoridades, por canais oficiais.”
A importância de comunicar o reencontro
Quando a pessoa é localizada, é fundamental informar à autoridade policial.
Essa comunicação encerra a ocorrência formalmente e contribui para a qualidade dos dados estatísticos, evitando esforços duplicados e fortalecendo as políticas de busca.
Coleta de DNA de familiares
Em agosto, o DF participou da Campanha Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
O Instituto de Pesquisa de DNA Forense (IPDNA) da PCDF coletou 56 amostras de 42 famílias, destinadas exclusivamente ao cruzamento com bancos de dados de pessoas não identificadas.
O diretor do IPDNA, Samuel Ferreira, lembra que o procedimento é contínuo e pode ser solicitado a qualquer momento por familiares com ocorrência registrada.
Um compromisso com a vida
“No Distrito Federal, cada reencontro representa mais do que um dado estatístico — é a prova de que a integração entre tecnologia, sensibilidade e compromisso público pode transformar dor em reencontro e esperança em política de Estado.”
— Sandro Avelar, secretário de Segurança Pública do DF.