A Polícia de São Paulo identificou dois suspeitos de envolvimento no assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz, morto a tiros de fuzil na tarde de segunda-feira (15), em Praia Grande, no litoral paulista. A informação foi confirmada pelo secretário de Segurança Pública do estado, Guilherme Derrite.
Os nomes dos suspeitos estão sendo preservados para não atrapalhar as investigações. A Polícia Civil já solicitou a prisão temporária de ambos, mas ainda aguarda decisão da Justiça.
As identificações foram possíveis graças ao trabalho pericial. Um dos criminosos foi descoberto a partir de impressões digitais encontradas no vidro de um Jeep Renegade, utilizado na ação criminosa. O veículo, roubado na capital paulista, foi abandonado a menos de 500 metros do local do crime, junto de carregadores de fuzil e pistola, além da placa original do automóvel. O segundo suspeito também foi identificado a partir de vestígios analisados pela perícia no local.
Derrite destacou que, neste momento, a prioridade é a captura dos envolvidos. “O que posso falar é que temos a identificação e qualificação. É fundamental que consigamos realizar a prisão para chegar a todos os responsáveis pelo crime”, declarou.
Crime organizado e motivações
Entre as linhas de investigação, a Polícia não descarta a hipótese de retaliação por parte do crime organizado, em razão da atuação firme de Ruy Ferraz como secretário de Administração em Praia Grande e, principalmente, por sua trajetória de enfrentamento ao PCC.
Ferraz já havia sido jurado de morte pela facção criminosa em 2019. De acordo com denúncia do Ministério Público de São Paulo, ele era um dos alvos da cúpula após a transferência de líderes, incluindo Marcola, para o sistema penitenciário federal.
Execução brutal
O ex-delegado foi atacado na avenida Doutor Roberto de Almeida Vinhas, quando trafegava em uma Hilux SW4 preta. Criminosos o perseguiram e, após colisão do veículo contra um ônibus, desceram armados com fuzis e efetuaram mais de 20 disparos.
Segundo o delegado-geral de Polícia, Artur Dian, Ferraz foi atingido nos braços, pernas e abdômen. Ele não resistiu aos ferimentos.
Legado
Ruy Ferraz deixa como marca sua dedicação no combate ao crime organizado e à defesa da sociedade. Sua trajetória, marcada pela coragem, reafirma os riscos enfrentados diariamente pelos profissionais de segurança pública no Brasil.
Atualização de quarta-feira (17)
As investigações tiveram um novo desdobramento nesta quarta-feira (17). Um homem, irmão de um dos suspeitos, foi detido em Praia Grande e levado à sede do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), em São Paulo, para averiguação. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) esclareceu que ele não é alvo de mandado de prisão.
Ainda segundo a SSP, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão na capital e na Grande São Paulo, e a mãe de um dos investigados também prestou depoimento. “Detalhes sobre as ações policiais serão preservados para não comprometer as investigações”, afirmou a pasta em nota.

