Artigo publicado na Revista Brasileira de Ciências Policiais apresenta proposta de aplicação da metodologia ACE-V à análise de biometrias suaves e amplia as perspectivas de utilização dessas características na identificação humana.
A produção científica desenvolvida por Papiloscopistas Policiais Federais ganha destaque com a publicação de um estudo voltado ao aprimoramento dos exames de identificação humana. Os policiais federais Joandson Bata dos Santos, Felipe Bitencourt Silva dos Santos e Cyntia Larisse Silva da Fonsêca são autores do artigo “Proposição de uma Abordagem da Metodologia ACE-V para Exame de Comparação de Biometrias Suaves no Dorso das Mãos”, publicado em 4 de setembro de 2026 na Revista Brasileira de Ciências Policiais (RBCP), periódico científico vinculado à estrutura da Academia Nacional de Polícia.
A pesquisa propõe uma abordagem metodológica para a comparação forense de imagens do dorso das mãos, utilizando como referência a metodologia ACE-V (Análise, Comparação, Avaliação e Verificação), tradicionalmente empregada em exames de identificação por impressões papilares. A proposta busca estruturar procedimentos técnicos que auxiliem o perito a avaliar se características observadas em diferentes imagens podem estar relacionadas a uma mesma pessoa.
Biometrias suaves: características que podem contribuir para a identificação humana
O estudo tem como objeto as chamadas Biometrias Suaves (Soft Biometrics), que correspondem a características físicas e particularidades do corpo humano que podem auxiliar nos processos de reconhecimento e identificação de indivíduos.
Entre essas características está o conjunto conhecido internacionalmente como SMT, sigla para Scars, Marks and Tattoos (cicatrizes, marcas e tatuagens). Embora não apresentem, isoladamente, o mesmo grau de individualização associado a determinadas modalidades biométricas tradicionais, essas características podem fornecer informações relevantes quando analisadas de maneira sistemática e em conjunto com outros elementos disponíveis.
A utilização dessas características ganha especial importância em investigações nas quais os registros de imagem não permitem visualizar o rosto ou outras regiões do corpo que normalmente oferecem elementos para a identificação.
O artigo destaca, nesse contexto, investigações envolvendo crimes sexuais e a produção de material de abuso sexual infantil. Nessas situações, é possível que o responsável pela produção do material não tenha o rosto exposto nas imagens, permanecendo visíveis apenas partes específicas do corpo, como as mãos.
Diante dessa realidade, o dorso das mãos passa a representar uma fonte potencial de informações para a análise forense. Cicatrizes, marcas e outras particularidades visíveis nessa região podem constituir elementos de interesse para a comparação entre imagens e para o direcionamento de procedimentos investigativos.
A aplicação da metodologia ACE-V
Um dos principais aspectos do trabalho é a proposição de uma estrutura de exame baseada na metodologia ACE-V, cuja sigla corresponde a quatro etapas: Análise, Comparação, Avaliação e Verificação.
A adaptação dessa abordagem ao exame de biometrias suaves busca estabelecer uma sequência organizada de procedimentos, permitindo maior sistematização e fundamentação técnica durante a análise das imagens.
As quatro etapas compreendem:
1. Análise: exame individual das imagens disponíveis, com observação das características do dorso das mãos e identificação dos elementos que apresentam condições de serem utilizados na comparação.
2. Comparação: confronto das características identificadas nos registros examinados, buscando observar semelhanças, diferenças e correspondências entre os elementos visíveis.
3. Avaliação: apreciação dos resultados obtidos na comparação, considerando a relevância das características observadas e os elementos que podem contribuir para uma conclusão tecnicamente fundamentada.
4. Verificação: revisão do exame e dos procedimentos realizados, buscando conferir consistência à análise e às conclusões apresentadas.
A estrutura proposta procura oferecer maior organização ao processo de comparação forense, contribuindo para que os exames sejam conduzidos de maneira criteriosa, documentada e fundamentada.
É importante destacar que a proposta não representa a consolidação definitiva de uma técnica de identificação, mas uma contribuição metodológica para o desenvolvimento de um campo que ainda demanda pesquisas, avaliações práticas e aperfeiçoamento contínuo.
Contribuição para as Ciências Forenses e a atividade de Papiloscopia
Ao abordar a comparação de características do dorso das mãos sob uma perspectiva metodológica, o estudo amplia a discussão sobre as possibilidades de utilização de diferentes elementos biométricos nos processos de identificação humana.
A pesquisa também evidencia a importância de desenvolver procedimentos que permitam aproveitar informações presentes em registros de imagem que, em determinadas circunstâncias, podem representar uma das poucas fontes disponíveis para a análise pericial.
Além da aplicação em investigações envolvendo crimes sexuais, o aprofundamento desse campo pode contribuir para ampliar o conhecimento sobre o potencial das características anatômicas e particulares das mãos nos exames de interesse forense.
Os pesquisadores ressaltam, entretanto, que ainda são necessários avanços na aplicação prática das etapas propostas, bem como o desenvolvimento de novas abordagens que permitam aperfeiçoar os procedimentos de comparação de biometrias suaves.
Nesse sentido, o trabalho representa mais um passo na construção do conhecimento científico relacionado à identificação humana, aproximando a experiência da atividade pericial da pesquisa acadêmica e incentivando o desenvolvimento de novas possibilidades técnicas para as Ciências Forenses.
Valorização da produção científica dos Papiloscopistas Policiais Federais
A publicação na Revista Brasileira de Ciências Policiais representa um importante espaço de divulgação e compartilhamento do conhecimento produzido por profissionais da Polícia Federal.
Vinculada à Coordenação Escola Superior de Polícia, a RBCP tem como finalidade divulgar trabalhos científicos relevantes para o avanço teórico e prático das Ciências Policiais, promovendo a interdisciplinaridade e a troca de experiências entre pesquisadores.
A ABRAPOL reconhece e valoriza iniciativas como essa, que demonstram o compromisso dos Papiloscopistas Policiais Federais com a pesquisa, o aperfeiçoamento profissional e o desenvolvimento de conhecimentos aplicados à identificação humana.
A produção científica é fundamental para o fortalecimento da Papiloscopia, pois permite sistematizar experiências, aprimorar procedimentos e construir novas perspectivas para o exercício da atividade pericial.
A ABRAPOL parabeniza os Papiloscopistas Policiais Federais Joandson Bata dos Santos, Felipe Bitencourt Silva dos Santos e Cyntia Larisse Silva da Fonsêca pela publicação e pela contribuição ao desenvolvimento científico da Papiloscopia e das Ciências Forenses.
Acesse o artigo científico na íntegra
O trabalho está disponível gratuitamente na plataforma da Revista Brasileira de Ciências Policiais.
Título: Proposição de uma Abordagem da Metodologia ACE-V para Exame de Comparação de Biometrias Suaves no Dorso das Mãos.
Autores: Joandson Bata dos Santos, Felipe Bitencourt Silva dos Santos e Cyntia Larisse Silva da Fonsêca.
Periódico: Revista Brasileira de Ciências Policiais (RBCP).
DOI: 10.31412/df34cx24.
“É motivo de grande satisfação ver PPFs contribuindo para o avanço da pesquisa científica e para o aprimoramento das técnicas de identificação humana. Trabalhos como este demonstram a capacidade técnica, o compromisso e a dedicação dos profissionais da nossa categoria, que, além de desempenharem uma função essencial na segurança pública, também produzem conhecimento e contribuem para o desenvolvimento das Ciências Forenses. Em nome da ABRAPOL, parabenizo os autores pela publicação e reafirmo que valorizar e dar visibilidade à produção intelectual dos Papiloscopistas é também fortalecer a nossa profissão.” – PPF Régis, Presidente da ABRAPOL.